Onde eu estava quando o muro caiu

9 Novembro 09 - Leave a Response

No jardim de infância (era o nome que se dava à época para pequenos aglomerados de crianças aprendendo a colorir, a desenhar e a colar), tentando brincar com outras crianças e frequentemente sendo excluída de algumas brincadeiras – essas crianças não aprenderam nada com a ascensão e a queda do muro, com a história, meu Deus, a História.

Direto de novembro de 1989.

Eu vou ao cinema – Ervas Daninhas

9 Novembro 09 - Leave a Response

Mulher ruiva-falsa com permanente no cabelo compra sapato Marc Jacobs (primeiro merchandising de vários – nem vou citar os outros), tem a carteira furtada, devolve o sapato.
Homem com a cara do bonitão da novela das 9 daqui a uns 30 anos tem tolerância zero, acha a dita carteira (vermelha) no estacionamento e a leva na polícia para devolver.
A ruiva com permanente agradece, daí eles casam, têm três filhos e vão morar no campo começam a perseguir um ao outro, entre ligações de madrugada, stalks no cinema do bairro e “raptos” por avião. Igualzinho ao que a gente fazia aos 14 anos, não é mesmo?
Eu só gostaria de entender o final, pois minha cabeça não foi feita para compreender filmes franceses conceituais, daqueles que seguem o desconstrutivismo do Derrida. Mentira. Tenho certeza de que desconstruíram (ça veut dire “picotaram”) dois filmes do Resnais e colaram os finais trocados. É toda uma técnica sofisticada do cinema francês, iniciada na Nouvelle Vague. Ah, você não sabia? Pois é, é dessa maneira que os filmes são feitos por lá.

Eu vou ao cinema – À Procura de Eric

9 Novembro 09 - Leave a Response

Nem ia ver esse, porque vi, do Ken Loach, aquele filme com o intrigante título de (sotaque irlandês, por favor) “The Wind That Shakes the Barley” e dormi na sessão. Mas resolvi encarar.
A sessão foi super família, boa parte dos amigos estava na mesma sala, e nem tínhamos combinado de ver esse filme nessa sessão. E essa é uma das diversões de festival de cinema – você nem precisa combinar com ninguém, você tromba com os amigos entre as sessões.

O filme é divertido. É sobre um carteiro que cuida dos enteados mas está em crise com a família e com ele mesmo, e sua grande vontade é voltar às pazes com a primeira e única muié da sua vida, mãe de sua única filha. Para isso, ele conta com a ajuda do grande jogador de futebol Ronaldinho Eric Cantona (quem?). Começa daí a primeira grande dúvida do filme: esse cara existiu mesmo? Esse cara foi imaginado pelo personagem principal (que também se chama Eric)? Ele é o Leônidas de 300?
Fora essas dúvidas existenciais, é divertido ver um monte de carteiros gordinhos vendo futebol na tevê, bebendo cerveja, brigando com torcedores de outro time e ajudando o amigo a salvar seus enteados e a resgatar a princesa.
Vale a pena. E nem é tão cansativo.

Leiam uma crítica aqui.

Eu vou ao cinema – NY, Eu Te Amo

8 Novembro 09 - 2 Responses

ANTES DE MAIS NADA: faltou contratarem o Woody Allen como consultor geral do filme.

Dito isso, vamos à crítica des(cons)trutiva.
É interessante notar que os diretores (quem?) se concentraram basicamente em dois aspectos da cidade de Nova Iorque (ou New York, pra quem prefere no original): a pootaria e os cigarros. Porque só tem séquiço e fumantes nesse filme. Minha moral e os bons costumes foram abalados. E que tipo de personagem passa a história praticamente trancado em casa em um filme de amor a uma cidade? Foi tudo muito bizarro.
Algumas histórias são boas. A do Antony Minghella, que morreu e deixou seu curta como herdeiro (já aviso que é com a Julie Christie do Dr. Jivago), a da Natalie Portman, que é fofinha que nem ela, e a que tem o Legolas, que passa o dia trancado em casa fumando, mas a premissa é bonitinha (não passar o dia trancado em casa fumando – vão ver o filme para entender o que eu quis dizer).
As outras são tão chatinhas que nem vou comentar.

Vou sim, pois estou me especializando em críticas destrutivas.
Não dá para entender onde acontecem as histórias, em que região lá de Nóviorqui. Porque “Paris, Te Amo” foi bem divididinho e explicado, mas NY ficou uma zona, especialmente para quem não conhece a cidade (EU, por exemplo). E ainda mostram uma cidade meio feiosinha, esquisita. O público não se apaixona pela cidade. É como se filmassem Brasília e mostrassem, repetidamente, aqueles subterrâneos para atravessar os eixos (exagero meu, mas gostei da ideia).
Quanto aos atores, podiam ter escolhido gente melhor. Tenho certeza que colocar a Rachel Bilson (a Summer de THe O.C. – eu sei que você assistiu, oras) atuando foi um trabalho social dos diretores, porque ela é muito ruinzinha. E o parzinho dela também, o mini-Darth Vader. E me dá calafrios lembrar do filme que fizeram juntos, brrr.
Enfim, cortaram a cena da Scarlett Johansson, cortaram o filme todo depois remendaram e o resultado é esse aí. Acho que a venda de passagens para NY vai cair depois que o filme for realmente lançado.
E outra, muitos e muitos outros filmes e programas já declararam seu amor por New York sem exclamar isso no título, de An Affair to Remember a Sex and the City. E são melhores que NY, I Love You, o que nos mostra que não é necessário colocar em palavras e de maneira tão óbvia o que sentimos por alguma coisa (momento auto-ajuda do blog – mas que é, é).

Eu vou ao cinema – (500) Dias com Ela

7 Novembro 09 - One Response

O melhor dos filmes do FIC (é, eu só vi três, mas e daí? O critério é meu, oras).

A história é daquelas de sempre: garoto encontra menina, se apaixona, se desespera, ouve Roberto Carlos sem parar, e ela não está nem aí, é descolada e não quer compromisso. Tem uma reviravolta no final, mas não vou contar pra não estragar o filme de ninguém.
A trilha sonora, como sempre ocorre nesses filmes alternativos, eu que escolhi. Toca Smiths, Belle and Sebastian, Regina Spektor, Carla Bruni e alguém canta Sonic Youth e SUGAR TOWN (quase morri nessa parte). O diretor também me perguntou se ia ser legal citar Bananafish, daquele conto do Salinger, e eu dei o OK.
Tá, mas essa onda indie-muderrninha é forçada demais, especialmente pela presença da Zooey Deschanel, que só tem dois grandes olhos e nenhuma versatilidade para atuar. E aquela franja comprida, caindo nos olhos, me dá agonias e vontade de passar a tesoura nelas.
Outra coisa que me irrita nesses filmes é que são sempre sob o ponto de vista do menino, que é um bundão, enquanto a menina é cool, despretensiosa, bem vestida, e só maltrata o coração do cara. Não me lembro da vida real ser muito parecida com isso. Eu e meu amigo acabamos nos identificando com o menino, e ambos temos uma Summer na vida, mas queria tanto ver um filme em que a menina sofre, chora, se entope de brigadeiro e ouve o Rei sem parar…

Eu vou ao cinema – Amor Extremo

6 Novembro 09 - One Response

Amor Extremo, de John Maybury (quem?), é sobre duas amyghas na guerra que dividem o amor do mesmo homem com cara de bundão, mas daí aparece o soldado com cara de traveco e faz um filha numa delas e todos, menos o soldado, viajam para uma praia gelada e ficam todos cuidado dos bebês e fumando loucamente. A grande pergunta a ser feita é POR QUE NINGUÉM MORREU OU SE JOGOU DA BEIRADA DE ALGUMA EXTREMIDADE? Teria ficado muito mais interessante. Nem a moda salvou, pois não saí de lá querendo usar batom vermelho nem cabelo preso.

Fiquei mais preocupada com a magreza da Keira Knightley e com o senhor que engasgou com a pipoca do que interessada no filme.

Eu vou ao cinema – o curta e o longa

6 Novembro 09 - One Response

Vamos iniciar mais uma seção neste blog, o de críticas de filmes do FIC Brasólia. Já estou dando meu pobre dinheirinho pros picaretas do festival, agora quero falar mal também.

A abertura foi quarta-feira, com apresentadores nos matando de vergonha e dois filmes, as usual, um curta brasileiro e a GRAAAANDE atração da noite.

O curta: O Teu Sorriso, de Pedro Freire (quem?), é sobre aquela canção do Roberto na fase de música de motel, notadamente este trecho: “nos lençóis macios, amantessedão, travesseiros soltos, roupas pelo chão, braços que se abraçam etc.” Fim.

O longa: A Fita Branca, de Michael Haneke, o cara que faz suspense sem fechar as pontas soltas e tem muito o que aprender com a galera de Jogos Mortais. O filme é uma exposição fotográfica em preto e branco no estilo do Sebastião Salgado, mas com pessoas de banho tomado. Fim.

(Para quem quer críticas decentes, clique aqui)

Palhinha de when the child…

15 Outubro 09 - One Response

Enquanto fico olhando pra tela do computador tentando terminar minha super duper resenha-fofa de Asas do Desejo, transcrevo um pedacinho do poema recitado ao longo do filme (é a minha parte favorita, pois eu, do alto dos meus 8 anos, fazendo trabalho escolar, vivia me perguntando porque eu estava fazendo aquela droga de trabalho e porque eu não era, hm, Narizinho Arrebitado):

When the child was a child,
It was the time for these questions:
Why am I me, and why not you?
Why am I here, and why not there?
When did time begin, and where does space end?
Is life under the sun not just a dream?
Is what I see and hear and smell
not just an illusion of a world before the world?
Given the facts of evil and people.
does evil really exist?
How can it be that I, who I am,
didn’t exist before I came to be,
and that, someday, I, who I am,
will no longer be who I am?

Historinha giuridica

15 Outubro 09 - 2 Responses

Eis que o Cliente chegou no advogado pedindo aquela ajuda para cobrar de Fulano o dinheiro que Fulano lhe devia. O Advogado entrou com uma ação básica, básica, e o Juiz mandou citar Fulano porque se convenceu de que Fulano realmente estava fingindo ter esquecido da sua dívida.
Citado, Fulano foi todo bonzinho e simpático.
- Ai, Cliente, me desculpe, foi culpa da Secretária/Estagiária que esqueceu de me lembrar e de colocar seu dinheiro no débito automático. Mas ó, toma aqui esse cheque pré, pro mês que vem, e estamos conversados. Fechô?
O Advogado ficou até feliz. Não ia receber honorários, mas pelo menos ia evitar aquela dor de cabeça ao cobrar dinheiro alheio.
Disse o Juiz: “Pois bem, suspendo o processo até o cheque cair.”
Chegou o mês seguinte. O cheque foi. E voltou. E foi de novo. E voltou pela segunda vez.
O Cliente pediu socorro ao advogado, que foi pedir ao Juiz a execução de Fulano.
O Juiz declarou: “Pois bem, execute-se.”
Chegou o oficial de justiça no endereço indicado de Fulano. E… cadê fulano? “Essa empresa desse Seu Fulano já era, mudou pro endereço de cima.”
O oficial voltou ao juízo e contou a história ao Juiz, que proclamou: “Ora pois, execute-se no novo endereço.”
Retornando ao endereço indicado, mas no andar de cima, o oficial estava pronto a penhorar a empresa, mas… a empresa de Fulano tinha virado um bar, nesse meio-tempo.
Correu para contar a novidade ao Juiz. Este correu para contar a novidade ao Advogado, que correu ao Cliente, e este rebateu a novidade, dizendo “Se vira, te pago pra achar os bens desse malandro.”
O Advogado colocou um chapéu e botas e cavucou arqueologicamente os cartórios da cidade atrás de outros bens da empresa de Fulano. Nada encontrou em nome da empresa, mas em nome do Fulano…
O Juiz, sabendo da história, mandou desconstituir a personalidade jurídica da empresa (fenômeno jurídico que se caracteriza quando uma empresa é desfeita de maneira irregular, possibilitando executar inclusive as cuecas Armani dos sócios para quitar as dívidas da empresa) e penhorar os bens de Fulano.
O oficial, todo pimpão por finalmente ter um papel nessa história toda, chegou até Fulano e disse-lhe “Vinde a mim os bens penhoráveis.”

Não havia sobrado nem as facas colecionadas nas promoções de revistas.

-E agora, doutor, manda prender!
-Ah, não pode, por causa daquele pacto lá.

(a continuar…)

3 Setembro 09 - 2 Responses

Quem acha que ler jornal é uma perda de tempo e suja as mãos perde a chance de descobrir, por acaso, poemas como esse, do Edgar Allan Poe, com o qual a pessoa se identifica imediatamente:

Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.

Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte ingual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.”